quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O GRANDE TAMBOR
A trajetória do que poderia ser considerado um simples instrumento se transforma numa jornada de descobrimento de processos históricos que teimam em contrapor a verdade idealizada daquilo que se considera oficial no Rio Grande do Sul. Com um toque grave e de grandes proporções, o Tambor de Sopapo, hoje montado principalmente pelas mãos do pelotense Mestre Batipsta, não deixa morrer a memória das traições, do genocído do povo negro e, acima de tudo, da sua grande e essencial contribuição cultural para o estado e para o Brasil. As mãos que hoje massageiam o couro, que retumbam distante o som inconfundível do pampa gaúcho, são as mesmas que há séculos foram retiradas de seus lares em algum lugar de uma África distante e que construíram a suor e muito sangue as riquezas e o imaginário que nunca lhes pertenceram.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
lançamento de A PRINCESA É UMA SENHORA
A PRINCESA É UMA SENHORA, música de Richard Serraria e Marcelo (da Redenção) Cougo, parte da trilha sonora do Projeto Tambor de Sopapo, teve seu lançamento na RádioCom (Pelotas-RS). A equipe do Coletivo Catarse, acompanhada do Mestre Baptista, esteve ao vivo batendo um papo sobre o documentário O GRANDE TAMBOR, que tem o patrocínio do IPHAN.
Faça o download da entrevista, clicando aqui.
Assista alguns clipes das versões anteriores da música A PRINCESA É UMA SENHORA, clicando aqui.
Faça o download da entrevista, clicando aqui.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
gravação do clipe da música O GRANDE TAMBOR do Mestre Paraquedas
"O Sopapo quase foi esquecido. Pra mim, hoje, ele representa a cultura mais verdadeira do Rio Grande do Sul. Na quinta-feira, 21 de novembro, estivemos no Ponto de Cultura Ventre Livre para gravar o videoclipe da múscica O Grande Tambor, de autoria do Mestre Griô Paraquedas. A música vai fazer parte de um documentário de mesmo nome¹ que resgata a história e a cultura deste instrumento de percussão típico do sul do Rio Grande do Sul, que remonta a época das charqueadas e foi presença importante nos carnavais de Pelotas e Rio Grande entre as décadas de 40 a 70 aqui no estado.
(...)
Já não somos os mesmos, estamos cada vez mais livres, independente de sermos negros, índios, brancos, Catarse, Bataclã, Afro Sul...somos brasileiros descobrindo o que constitui nossa bagagem cultural, do que somos feitos realmente. Isso é libertador e nos dá a energia para seguirmos adiante...
Leia o texto inteiro no blog da Bataclã FC, clicando aqui.
Texto de Têmis Nicolaidis (VJ da Bataclã FC, coordenadora do Ponto de Cultura Ventre Livre e editora do filme O GRANDE TAMBOR)




Técnico de Som:
Marcos Farias (Marquinhos)
Voz:
Eugênio da Silva Alencar (Mestre Paraquedas)
Liliane Escoto da Silva (Lil)
Richard Serraria
Sarah Brito
Tambores:
Lucas Kinoshita
Nego Vado
Paulo Romeu
Valder Rocha (Sapo)
Paulo Mallet
(...)
Já não somos os mesmos, estamos cada vez mais livres, independente de sermos negros, índios, brancos, Catarse, Bataclã, Afro Sul...somos brasileiros descobrindo o que constitui nossa bagagem cultural, do que somos feitos realmente. Isso é libertador e nos dá a energia para seguirmos adiante...
Leia o texto inteiro no blog da Bataclã FC, clicando aqui.
Texto de Têmis Nicolaidis (VJ da Bataclã FC, coordenadora do Ponto de Cultura Ventre Livre e editora do filme O GRANDE TAMBOR)
fotos de Têmis Nicolaidis
O Grande Tambor
(música do Mestre Paraquedas)
Negro Sopapo
Parece trovão
Batendo no couro
Sangrando a mão
Grande Tambor
Que vem lá do Cativeiro, da charqueada, do terreiro
É mina, é batuqueiro
Ecoa no céu, retumba no mar
O grande tambor pelotense
É Gege, é Nagô, é raiz
Cultura pura africana
Na sua essência, na sua matriz
Parece trovão
Batendo no couro
Sangrando a mão
Grande Tambor
Que vem lá do Cativeiro, da charqueada, do terreiro
É mina, é batuqueiro
Ecoa no céu, retumba no mar
O grande tambor pelotense
É Gege, é Nagô, é raiz
Cultura pura africana
Na sua essência, na sua matriz
Técnico de Som:
Marcos Farias (Marquinhos)
Voz:
Eugênio da Silva Alencar (Mestre Paraquedas)
Liliane Escoto da Silva (Lil)
Richard Serraria
Sarah Brito
Tambores:
Lucas Kinoshita
Nego Vado
Paulo Romeu
Valder Rocha (Sapo)
Paulo Mallet
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Mestre Paraquedas na Trilha do Documentário
O mestre Griô, "Eugênio da Silva Alencar, conhecido como Mestre Paraqueda, de 73 anos, é músico, compositor, poeta, desenhista, um contador de histórias. Vivenciou os chamados territórios negros em Porto Alegre: nasceu na região de Alto da Bronze, morou no Areal da Baronesa, no Menino Deus, dentre outras regiões da cidade que concentraram os descendentes de africanos. A ligação com o samba veio através da família, que costumava tocar e cantar em festas, nos finais de semana. Começou a compor por volta dos oito anos, na metade da década de 1940. Seu apelido veio de quando serviu ao Exército como para-quedista. Foi assim que conheceu o Rio de Janeiro e lá conviveu com o cotidiano da Escola de Samba Portela. Participou também dos ranchos da Unidos da Vila Valqueire. Sua relação com o carnaval é muito forte. Compôs mais de 60 temas, sendo que 40 viraram sambas enredos de diferentes escolas de Porto Alegre. Fundou diversas sociedades carnavalescas da cidade como o Comandos do Morro, o Sambão, o Samba Puro, Unidos da Conceição, dentre outras. Como desenhista, construiu diversas alegorias para estas sociedades e escolas de samba. Gravou muitos sambas enredos dos carnavais de Porto Alegre e teve outras músicas gravadas por outros intérpretes. Uma destas, chamada “É morro, é favela, é gueto, é quilombo” foi censurada pela ditadura militar. Sua trajetória é marcada pela resistência das culturas populares, da negritude do pampa, municiada pela música e poesia."*
Mestre Paraquedas nos brindou com composição feita especialmente para o documentário "O Grande Tambor", e ontem a noite um grupo especial de músicos (Paulo Romeu, Wado, Lucas Kinoshita, Cal e o próprio mestre) se reuniu no Ponto de Cultura Odomodê com a missão de harmonizar esta música. Eis o resultado:
A gravação da música para a trilha vai ser semana que vem, no Ponto de Cultura Ventre Livre.
*Texto: Caiuá Al-Alam, Pesquisador.
Mestre Paraquedas nos brindou com composição feita especialmente para o documentário "O Grande Tambor", e ontem a noite um grupo especial de músicos (Paulo Romeu, Wado, Lucas Kinoshita, Cal e o próprio mestre) se reuniu no Ponto de Cultura Odomodê com a missão de harmonizar esta música. Eis o resultado:
A gravação da música para a trilha vai ser semana que vem, no Ponto de Cultura Ventre Livre.
*Texto: Caiuá Al-Alam, Pesquisador.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
O SOPAPO E O CABOBU: a invenção de uma tradição percussiva no extremo sul do Brasil
"O Sopapo, tambor de grandes dimensões encontrado em Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, é cercado por incertezas quanto as suas origens e circulação. Produto da reconstrução diaspórica dos escravos das Charqueadas em Pelotas, no século XIX, foi amplamente usado a partir da década de 1940 em escolas de samba nestas cidades. O tempo promoveu uma migração do instrumento para outros contextos. Artistas /grupos musicais se apropriaram do instrumento no final da década de 1990, ressemantizando sua sonoridade e conferindo status diferenciado ao Sopapo, como elemento identitário e ideológico.
O Projeto CABOBU, idealizado pelo músico Giba-Giba e realizado em Pelotas em 2000
e 2001, foi responsável pelo ressurgimento do Sopapo e por esta recontextualização. Através de uma oficina de construção do instrumento, quarenta Sopapos foram doados aos músicos participantes, entre eles Naná Vasconcelos e Djalma Corrêa, culminando com uma bateria composta por Sopapos, num festival de três dias com palestras sobre a cultura musical afrobrasileira e shows onde o Sopapo estava presente em todas as apresentações, numa grande Festa dos Tambores."
Esta é a introdução do projeto de doutoramento (UFRGS) de Mario de Souza Maia, que você pode ler integralmente clicando aqui.
O Projeto CABOBU, idealizado pelo músico Giba-Giba e realizado em Pelotas em 2000
e 2001, foi responsável pelo ressurgimento do Sopapo e por esta recontextualização. Através de uma oficina de construção do instrumento, quarenta Sopapos foram doados aos músicos participantes, entre eles Naná Vasconcelos e Djalma Corrêa, culminando com uma bateria composta por Sopapos, num festival de três dias com palestras sobre a cultura musical afrobrasileira e shows onde o Sopapo estava presente em todas as apresentações, numa grande Festa dos Tambores."
Esta é a introdução do projeto de doutoramento (UFRGS) de Mario de Souza Maia, que você pode ler integralmente clicando aqui.
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