Mostrando postagens com marcador trilha sonora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trilha sonora. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

lançamento de A PRINCESA É UMA SENHORA

A PRINCESA É UMA SENHORA, música de Richard Serraria e Marcelo (da Redenção) Cougo, parte da trilha sonora do Projeto Tambor de Sopapo, teve seu lançamento na RádioCom (Pelotas-RS). A equipe do Coletivo Catarse, acompanhada do Mestre Baptista, esteve ao vivo batendo um papo sobre o documentário O GRANDE TAMBOR, que tem o patrocínio do IPHAN.

Faça o download da entrevista, clicando aqui.


Assista alguns clipes das versões anteriores da música A PRINCESA É UMA SENHORA, clicando aqui.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

gravação do clipe da música O GRANDE TAMBOR do Mestre Paraquedas

"O Sopapo quase foi esquecido. Pra mim, hoje, ele representa a cultura mais verdadeira do Rio Grande do Sul. Na quinta-feira, 21 de novembro, estivemos no Ponto de Cultura Ventre Livre para gravar o videoclipe da múscica O Grande Tambor, de autoria do Mestre Griô Paraquedas. A música vai fazer parte de um documentário de mesmo nome¹ que resgata a história e a cultura deste instrumento de percussão típico do sul do Rio Grande do Sul, que remonta a época das charqueadas e foi presença importante nos carnavais de Pelotas e Rio Grande entre as décadas de 40 a 70 aqui no estado.
(...)
Já não somos os mesmos, estamos cada vez mais livres, independente de sermos negros, índios, brancos, Catarse, Bataclã, Afro Sul...somos brasileiros descobrindo o que constitui nossa bagagem cultural, do que somos feitos realmente. Isso é libertador e nos dá a energia para seguirmos adiante...

Leia o texto inteiro no blog da Bataclã FC, clicando aqui.
Texto de Têmis Nicolaidis (VJ da Bataclã FC, coordenadora do Ponto de Cultura Ventre Livre e editora do filme O GRANDE TAMBOR)





fotos de Têmis Nicolaidis

 
O Grande Tambor
(música do Mestre Paraquedas)

Negro Sopapo
Parece trovão
Batendo no couro
Sangrando a mão

Grande Tambor
Que vem lá do Cativeiro, da charqueada, do terreiro
É mina, é batuqueiro

Ecoa no céu, retumba no mar
O grande tambor pelotense
É Gege, é Nagô, é raiz
Cultura pura africana
Na sua essência, na sua matriz


Técnico de Som:
Marcos Farias (Marquinhos)

Voz:
Eugênio da Silva Alencar (Mestre Paraquedas)
Liliane Escoto da Silva (Lil)
Richard Serraria
Sarah Brito

Tambores:
Lucas Kinoshita
Nego Vado
Paulo Romeu
Valder Rocha (Sapo)
Paulo Mallet

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mestre Paraquedas na Trilha do Documentário

O mestre Griô, "Eugênio da Silva Alencar, conhecido como Mestre Paraqueda, de 73 anos, é músico, compositor, poeta, desenhista, um contador de histórias. Vivenciou os chamados territórios negros em Porto Alegre: nasceu na região de Alto da Bronze, morou no Areal da Baronesa, no Menino Deus, dentre outras regiões da cidade que concentraram os descendentes de africanos. A ligação com o samba veio através da família, que costumava tocar e cantar em festas, nos finais de semana. Começou a compor por volta dos oito anos, na metade da década de 1940. Seu apelido veio de quando serviu ao Exército como para-quedista. Foi assim que conheceu o Rio de Janeiro e lá conviveu com o cotidiano da Escola de Samba Portela. Participou também dos ranchos da Unidos da Vila Valqueire. Sua relação com o carnaval é muito forte. Compôs mais de 60 temas, sendo que 40 viraram sambas enredos de diferentes escolas de Porto Alegre. Fundou diversas sociedades carnavalescas da cidade como o Comandos do Morro, o Sambão, o Samba Puro, Unidos da Conceição, dentre outras. Como desenhista, construiu diversas alegorias para estas sociedades e escolas de samba. Gravou muitos sambas enredos dos carnavais de Porto Alegre e teve outras músicas gravadas por outros intérpretes. Uma destas, chamada “É morro, é favela, é gueto, é quilombo” foi censurada pela ditadura militar. Sua trajetória é marcada pela resistência das culturas populares, da negritude do pampa, municiada pela música e poesia."*

Mestre Paraquedas nos brindou com composição feita especialmente para o documentário "O Grande Tambor", e ontem a noite um grupo especial de músicos (Paulo Romeu, Wado, Lucas Kinoshita, Cal e o próprio mestre) se reuniu no Ponto de Cultura Odomodê com a missão de harmonizar esta música. Eis o resultado:



A gravação da música para a trilha vai ser semana que vem, no Ponto de Cultura Ventre Livre.

*Texto: Caiuá Al-Alam, Pesquisador.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Trilha: Harmonizando sopapo com baixo

No início do mês, os diretores da trilha Marcelo (da Redenção) Cougo, Lucas Kinoshita e Richard Serraria enfrentaram a tarefa de harmonizar o baixo de Filipe Narcizo (Bataclã FC)com os timbres do sopapo no arranjo para Pássaro Azul.
Veja um trecho dessa empreitada...


Em breve, as gravações de Sweet Senzala com Giamarê.

Abaixo algumas fotos de Pedro De Camillis das gravações.





terça-feira, 31 de agosto de 2010

Gravação de violões em Ventre Livre Odara


Marcelo Cougo no estúdio gravando violão e equipe do lado de fora do aquário no Estúdio Tec Áudio (Glauco Minossi pilotando o Pro Tools; Lucas Kinoshita orientando locais de inserções do violão e Richard Serraria registrando em foto). A canção "Ventre Livre Odara" foi a primeira a receber registros definitivos de violões e hoje seguem as captações em "Pássaro Azul", "Suíte Senzala" e "A princesa é uma senhora". As bases de percussão estão maravilhosas, timbres marcantes e apuro técnico nos arranjos desenhados por Lucas Kinoshita. Trata-se de um significativo momento histórico tal experiência, a possibilidade de imersão nesse universo mágico envolvendo arranjos, diferentes modos de afinação e captação do sopapo junto aos tambores de batuque gaúcho, caxixis, chocalhos, etc. Além de toda a carga documental que o projeto trará à luz, sem dúvida esse exercício prático de aprofundamento dos conhecimentos referentes ao tambor de sopapo em estúdio, também é elemento mais que significativo dessa empreitada.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Trilha entra na reta final

Nesta semana, acabam as gravações e inicia a finalização e masterização das trilhas para o documentário e para a caixa de registros e conhecimentos que o Projeto irá produzir.
Esta caixa reunirá saberes populares que envolvem a produção do tambor de sopapo para a consolidação de um conhecimento secular, histórico e que ainda corre o risco de se extinguir.

Abaixo algumas fotos das gravações da trilha sonora, com o percussionista Lucas Kinoshita investe fundo na pesquisa de timbres e arranjos num exímio trabalho; Marcelo Cougo na direção de trilha; Glauco Minossi tranquilade na técnica do estúdio.
A edição do documentário segue seu curso e, em breve, tem mais detalhes pra todos.











Fotos de Pedro De Camillis.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gravações da Trilha do Filme

Neste mês de agosto estamos gravando a trilha sonora original que irá compor o documentário sobre o tambor de sopapo. Marcelo Cougo e Lucas kinoshita gravam o sopapo no estúdio. Veja algumas imagens da gravação.



quarta-feira, 31 de março de 2010

Suíte Senzala

A realização deste documentário sobre o Tambor de Sopapo vem surpreendendo a quem está se envolvendo. Por um lado já imaginávamos - e nos propusemos a tal - que iríamos encontrar um sem número de histórias envolvendo a matriz negra da história do Rio Grande do Sul. Agora, para o que não estávamos preparados era encontrar e descobrir o que realmente estamos desvendando aos poucos. O Sopapo, instrumento lindo, mítico, carrega na sua genética não parte, mas a própria história do que aconteceu nesta região das Américas.
Pelotas hoje é uma cidade estagnada, com uma nuvem de energia latente que paira sobre as cabeças de quem vive ali, algo pulsante, vivo, obscuro. E o Sopapo vem tocando e registrando este caminhar há séculos, até parar e se esconder para retornar como parte do profano - do sagrado, do elemento espiritual que acompanhava os escravos, ao profano das festas de carnaval.
E Pelotas calou sua própria história.
Os negros não queriam contá-la, pois desejavam se esquecer e não perpetuar com lembranças período tão sombrio, por isso passaram apenas a bailar no toque do tambor, tão lindo, tão retumbante e ressoante, que se bate com as mãos tocando o couro do animal sacrificado para a consagração da carne.
Os brancos trataram de apagá-la pelos seus interesses de manutenção da ordem. Seu poder sobre os negros se mantinha, assim, intacto, mesmo sem a escravidão legalizada, sobre a nova ordem da escravidão social. Os brancos criaram seus heróis assassinos, um hino mentiroso e uma bandeira que se diz verde e amarela riscada pelo vermelho do sangue dos heróis farroupilhas, sem dizer que este sangue, este líquido sagrado derrubado a troco de nada nas terras gaúchas, é dos negros, dos escravos que encamparam a luta dos oligarcas das charqueadas pela sua própria liberdade, tendo sido traídos friamente pelas mãos daqueles que hoje dão nomes às ruas de todas as cidades do estado. Foram massacrados para que não voltassem à terra em onde trabalhavam para reinvindicar, enfim, seus direitos de homens livres.
Hoje, Pelotas purga e cala esta história.

Ouça mais uma música que será trilha do filme, na voz da cantora pelotense Giamarê, gravada em uma versão demo no estúdio da Casa Brasil Dunas (foto).









quarta-feira, 24 de março de 2010

Mestre Baptista grava trilha para o documentário sobre o Tambor de Sopapo


Mestre Baptista passou algumas horas conosco no estúdio da Casa Brasil Dunas, em Pelotas. O Mestre tocou sua cuíca na trilha "Suíte Senzala", composta por Marcelo Cougo especialmente para o documentário que está sendo filmado pelo Coletivo Catarse. Mestre Baptista foi acompanhado do percussionista Dilermando, do ODARA, grupo de dança de pelotas que utiliza o sopapo nas suas apresentações artísticas. Outra participação importante foi da cantora Giamare (em breve postaremos aqui a demo da gravação).

Nesta foto estão Mestre Baptista, Dilermando e Giamare, na Casa Brasil, aguardando para entrar no estúdio.

sábado, 6 de março de 2010

Método prático e eficiente para captação de sopapo



Use dois microfones na captação de Sopapo: um eletrovoice (usado para bumbo de bateria, por exemplo) para captar freqüências graves na parte debaixo do instrumento e outro condensador na parte superior para captar a palma da mão. Deve-se colocar o instrumentista numa cadeira de pé, ótima medida para o resultado final pois a saída inferior de ar do instrumento precisa de espaço em relação ao chão para circulação das freqüências de graves e para que o microfone não seja atingido durante o toque do instrumentista (o que ocorre com facilidade se o instrumentista é posto na posição de pé dentro do estúdio, como se estivesse na avenida ao nível do chão ou num palco com os pés no assoalho). O uso da cadeira resolve isso assim como a possibilidade de o instrumentista tocar acavalado/sentado sobre o sopapo, boa alternativa também. Tome cuidado ainda com o ar condicionado pois vai interferir na afinação do instrumento, visto que a pele é de couro de cavalo ou gado, o que varia bastante com a variação de temperatura. Se precisar afinar às pressas pode ser feito com ferro de passar roupa junto com uma toalha ou secador de cabelo perto à parte superior do instrumento. A forma adequada é através de uma chave nº 13 para afinação conforme explicação do Mestre Batista, batendo com um martelo no aro superior sobre os parafusos grandes que ficam presos aos rebites de ferro e apertando os parafusos com a chave. Nesse caso, a ciência é o ouvido, a percepção da sonoridade que se quer tirar do instrumento. Batista sugere uma parelha de quatro sopapos, por exemplo, afinados cada um num tom: A (lá), C (dó), E (mi) e F (fá); montando assim o acorde de F7M. Talvez isso e certamente muito mais você vai ver com detalhes no documentário que está sendo produzido pelo Coletivo Catarse e Bataclã FC, com finalização e lançamento ainda em 2010: por exemplo, a ação mágica de um pedacinho de compensado com um martelo, todos juntos e sobretudo com um ouvido dotado de uma sabedoria ancestral constituem o peculiar kit de afinação de Mestre Batista. "O pulo do gato", diria o griô nascido no bairro Fragata em Pelotas e morador hoje do bairro Santa Terezinha, Rua São Jorge. O pulo do gato: um dentre muitos outros, digo eu.

Voltando às dicas de gravação: depois na mixagem pode-se juntar os dois canais (gravados separados com 2 microfones diferentes) ou até usar pistas separadas dependendo do que se quer no arranjo da canção (se for o caso). Microfone da parte superior para células rítmicas mais recheadas de semínimas com uso das bordas do instrumento ou microfone inferior para marcação (surdo de 1ª) no centro do sopapo. Na foto de Richard Serraria, Alessandro Brinco (mestre de bateria dos Imperadores do Samba) gravando terceiro disco da Bataclã FC na Tec Áudio, janeiro de 2010. As dicas acima são fruto de uma experiência em estúdio ao longo desses 11 anos de trabalho ininterrupto (desde 1999 quando estivemos no Colégio Pelotense nas primeiras oficinas de construção dos 40 sopapos para o Cabobu, em que trouxemos o primeiro exemplar de sopapo à Bataclã FC) com o instrumento secular das charqueadas adaptado ao contexto de uma banda de rock.

Por Richard Serraria, domingo 7 de março de 2010.